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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
APL torna Tejo invisível

Por Tânia Reis Alves

 No Cais do Sodré, mesmo frente ao Tejo, ergue-se pouco a pouco aquela que é a quinta aberração mais votada na iniciativa do "T&Q". Os lisboetas parecem concordar com a classificação.

 

À medida que nos aproximamos da praça do Cais do Sodré, em Lisboa, a nuvem de pó que é o terror dos danos dos carros aí estacionados, vai ganhando forma. Será aí, entre o Tejo e a cidade, no terreno da Ribeira das Naus, que até ao final do ano irão nascer os já famosos edifícios onde passarão a estar sediadas a Agência Europeia de Segurança Marítima, o Observatório Europeu de Droga e Toxicodependência e o Centro de Informação Europeia Jacques Delors. É este conjunto de três edifícios, cuja construção  está a cargo da Administração do Porto de Lisboa (APL), que várias personalidades contactadas pelo "T&Q" para o passatempo "As Sete Grandes Aberrações" classificaram como um "mamarracho".

A obra, assinada pelo arquitecto Manuel Tainha (ausente do País em férias), não é, na verdade, indiferente áqueles cujo dia-a-dia se cruza com as paragens de autocarro, o cais, os quiosques antigos e os candeeiros de ferro do Cais do Sodré. Júlia Durão trabalhou no "Cais da Ribeira", um dos restaurantes em frente ao rio, durante 17 anos. Agora mudou-se para o estabelecimento ao lado, "O Guarda-Rio", e enquanto varre o chão daesplanada, que começa preparada para os almoços, vai dizendo o que pensa sobre os prédios que vão nascendo do outro lado da praça: "É uma aberração agora, mas quando estiver pronto vai ficar engraçado. Aberrações são os carros estacionados mesmo em frente ao rio e este podre do Cais do Sodré."

Pensamento diferente de Júlia Durão tem o colega de profissão Francisco Chalaça, que (..) confessa: "O prédio tira a vista do rio e as pessoas vêm para aqui justamente para ver o Tejo. Aliás, todo o Cais do Sodré é uma aberração, com as pedras soltas dos passeios, o jardim abandonado, sem uma fonte, uma casa-de-banho, com este buracos na estrada."

(...)

A verdade é que, votações à parte, os prédios já se vão erguendo indiferentes ao escerdeado do Tejo de Agosto ou às fachadas e comijas de mármore do outro lado da avenida. Manuel Frasquilho, presidente do conselho de administração da APL, recusa responsabilidades naquilo que parece ser uma inevitabilidade arquitectónica. "É claro que tenho a minha opinião como cidadão, mas quando cheguei à APL, a União Europeia, o Foverno e a Câmara de Lisboa já tinham decidido instalar aqui as agências. A mim só me restava pôr os edifícios de pé."

(..)

Já o euro-deputado Vasco Graça Moura defende: "Aquela zona deveria ser protegida e não ter mais construção. Devia preservar-se a relação com o rio, a compenente hisórica e estética do Cais do Sodré."


publicado por talequalmente às 09:57
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