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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
Quarteira - Porque é que cá vêm?

Por São José Sousa

Quarteira está no topo do pódio da votação para “As Sete Grandes Aberrações de Portugal”. O presidente da Câmara de Loulé não comenta os resultados, mas quase todos os turistas e habitantes daquela cidade algarvia multiplicam-lhe elogios.

Duas filas de pinheiros mansos ladeiam a estrada nacional 396. Loulé fica para trás, a uns velozes dez minutos, depois da inauguração, a 6 de Julho, do novo viaduto. O trânsito até Quarteira corre intenso mas rápido e, à chegada, às 15.30 de um sábado de Julho, são poucas as pessoas que se vêem pela Avenida Francisco Sá Carneiro, a principal artéria, que cruza a cidade de lés a lés.

O sol bate forte sobre os corpos semi-desnudos dos clientes de Vítor Morais. Proprietário do snack-bar Cantinho do Rei, situado naquela avenida onde as árvores e flores continuam a trazer colorido ao branco acinzentado dos prédios, Vítor Morais move-se atrás do balcão com agilidade, ornado de ouro pelo pescoço, pulso e dedos, com cabelo bem penteado e camisa cuidadosamente passada. Transmontano de 37 anos, instalou-se em Quarteira há 18 e encara sem surpresa os resultados das votações na iniciativa “As Sete Grandes Aberrações de Portugal”, promovida pelo “T&Q”: “É fácil votar em Quarteira”, reconhece. “Falta tudo: espaços nocturnos, a Câmara não deixa criar; a segurança está uma lástima”, queixa-se o comerciante, recordando que, apesar de nunca ter sido assaltado, já viu várias vezes o seu negócio vandalizado: “Ainda na semana passada, incendiaram-me o toldo”, conta.

E quando questionado sobre se acha Quarteira uma cidade bonita, Vítor Morais sorri e hesita na resposta: “Bonito, bonito, só tem as praias. De resto, não passa de caixotes”, acaba por assumir.

(...)

Com passos lentos e compassados, os amigos Francisco Charrua e Armando Brissos palmilham a marginal, aparentemente pouco incomodados com o sol. Acabaram de chegar de Lisboa para umas férias em Albufeira e vieram de propósito a Quarteira para almoçar “numa tasquinha que tem um peixe óptimo”, explica Francisco Charrua. Confessando que já tiveram uma má impressão da cidade, garantem agora que vão voltar: “Quarteira teve uma evolução muito grande”, considera Francisco Charrua, e aponta a variedade de actividades culturais como uma das actuais mais-valias da cidade.

(...)

“Não estamos interessados em fazer qualquer comentário”, faz saber o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Seruca Emídio, pelo chefe do seu gabinete, Joaquim Guerreiro, que prefere lançar uma questão: “Há quanto tempo não vai a Quarteira?”.

Na verdade, não são só os turistas que por aí passeiam que se desdobram em elogios à cidade; também quem adoptou Quarteira como casa argumenta contra os resultados da votação da iniciativa do “T&Q”. “É uma cidade fabulosa, com uma praia fabulosa, com uma estrada para Loulé muito boa”, afirma Manuel Aresta, nascido em Póvoa de São Miguel, no concelho de Moura, há 74 anos e migrado de Beja para Quarteira há 20. Sentado numa mesa em frente à praia, folheando um jornal desportivo disponibilizado pelo serviço da Biblioteca Itinerante de Loulé, que há quatro anos traz livros à praia, o reformado conta: “Tive um AVC e foi aqui que me curei”, e lança o enfoque para as condições “privilegiadas” que a cidade oferece à terceira idade, como as piscinas, a universidade ou o banco do tempo: “Vivi em Beja uma vida inteira e não lá não há tantas coisas para se distrair”, garante. O progresso é a razão que aponta para a construção desenfreada, e interroga: “Se as pessoas não gostam disto, porque é que cá vêm?”.

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publicado por talequalmente às 17:38
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